Delator da Lava Jato afirma que Eduardo Braga teria recebido 5 milhões de propina

Brasil – A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira a Operação Tira-Teima, que investiga pagamentos de vantagens indevidas por grupo empresarial a políticos, para obter benefícios em medidas de interesse dos grupos. Cerca de 40 policiais federais estão cumprindo oito mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF).

No centro da operação está a suspeita de doação irregular para a campanha eleitoral do atual presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), ao governo do Ceará em 2014.

Delatores afirmaram que houve uma série de doações de campanha com emprego de contratos fictícios.

Os mandados estão sendo cumpridos em São Paulo, Goiânia e Fortaleza. A finalidade das medidas é buscar documentos e outros elementos para aprofundamento da investigação. A operação foi solicitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e está sob segredo de Justiça.

Hypera A farmacêutica Hypermarcas, que hoje se chama Hypera, foi um dos alvos dos mandados. Ex-diretor de Relações Institucionais da Hypermarcas, Nelson José de Melo apontou em delação premiada uma suposta influência do lobista Milton de Oliveira Lyra Filho com senadores emedebistas.O delator apresentou contratos fictícios de sua empresa com outras companhias indicadas por ele para disfarçar o pagamento de propina. Milton Lyra, conforme Melo, informou que na campanha eleitoral de 2014 ele seria procurado por um “portador” de Eunício Oliveira, então candidato ao governo do Ceará.

No início de abril, o ministro Fachin enviou a Eunício uma lista com 12 perguntas sobre suspeita de que teria recebido R$ 5 milhões na campanha pela sucessão estadual.

Nelson José de Mello renunciou ao cargo de diretor de Relações Institucionais da Hypera (ex-Hypermarcas) em 2016, após admitir que realizou pagamentos indevidos durante o exercício do cargo. Em junho daquele ano, a farmacêutica informou que o ex-executivo, um dos homens de confiança do fundador da companhia, João Alves de Queiroz Filho, autorizou, por iniciativa própria, despesas sem a devida comprovação de serviços. Naquele momento, veio à tona a notícia de que o ex-diretor era delator na Operação Lava-Jato.
Mello teria contado a PGR que pagou R$ 30 milhões a lobistas para efetuar repasses a senadores do MDB, entre eles Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR) e Eduardo Braga (AM). A Hypermarcas conduziu à época uma auditoria, realizada por assessores externos, que identificou as despesas sem comprovação.

Mello ressarciu em R$ 26,7 milhões a companhia, que não era investigada na operação. Em nota, a Hypera Pharma confirmou nesta terça-feira a ação da Operação Tira-Teima. “Nesta manhã, há operação de busca e apreensão no escritório da companhia em São Paulo para colher documentos relacionados à colaboração do ex-diretor de Relações Institucionais da companhia, Nelson Mello”, diz o texto.

“A companhia reitera que não é alvo de nenhum procedimento investigativo, nem se beneficiou de quaisquer atos praticados isoladamente pelo ex-executivo, conforme já relatado ao longo do ano de 2016 em vários comunicados”, informa a nota.

FONTE: Blog da Amazônia